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 SIMA E PROFESSORE(A)S OCUPAM A PREFEITURA DE ALVORADA APÓS MESES DE SILÊNCIO DO GOVERNO MARTELLO

SIMA E PROFESSORE(A)S OCUPAM A PREFEITURA DE ALVORADA APÓS MESES DE SILÊNCIO DO GOVERNO MARTELLO

Mais de 300 trabalhadores da educação participaram do Dia de Luta convocado pelo SIMA. Após horas de mobilização, os servidores ocuparam pacificamente a Prefeitura para exigir diálogo. O prefeito Douglas Martello deixou o prédio sem falar com a categoria e o secretário Ítalo Manieri, previamente informado sobre a paralisação, sequer compareceu.

A OCUPAÇÃO NÃO COMEÇOU NA PREFEITURA. ELA COMEÇOU QUANDO O GOVERNO PAROU DE OUVIR.

Toda ocupação tem uma história. E a de Alvorada não começou na manhã de 17 de junho. Nem quando mais de 300 professores e professoras chegaram em frente à Prefeitura para protestar contra a mudança do calendário do recesso escolar sem diálogo com a categoria ou com a comunidade. Ela começou muito antes.

Começou com uma sequência de decisões tomadas sem diálogo: o projeto de 14º salário por metas, transferências de servidores, mudanças de horários nas escolas, restrições aos trabalhadores dentro das unidades, a falta crescente de professores e a crise da inclusão escolar. O ápice veio quando a Secretaria alterou o calendário do recesso escolar, obrigando famílias, estudantes e profissionais a reorganizarem suas vidas por causa de uma crise que poderia ter sido evitada.

A crise da inclusão, por exemplo, explodiu após o colapso da parceria com a ABESS, deixando mais de 1.500 estudantes atípicos sob insegurança e expondo o fracasso de uma política baseada na terceirização. Por isso a ocupação da Prefeitura não foi o começo da história. Foi consequência.

SIMA E PROFESSORES OCUPAM PREFEITURA
SIMA E PROFESSORES OCUPAM PREFEITURA

QUANDO O MEDO PASSA A FAZER PARTE DA ROTINA, O PROBLEMA JÁ NÃO É APENAS ADMINISTRATIVO

Nos dias que antecederam a paralisação, professores procuraram o SIMA relatando um clima que se espalhava pelos corredores das escolas. Conversas informais davam a entender que trabalhadores que participassem da mobilização poderiam receber “Falta Não Justificada” (FNJ). O sindicato precisou vir a público esclarecer aquilo que deveria ser óbvio: a paralisação havia sido aprovada em assembleia, comunicada formalmente ao governo e realizada dentro dos parâmetros legais. Mas o fato mais preocupante não está na ameaça. Está no ambiente que permitiu que ela fosse acreditada.

Rosseto chamou atenção para isso durante o ato ao afirmar que a educação municipal vem sendo conduzida sob uma lógica cada vez mais autoritária, onde muitos trabalhadores sentem que não podem questionar decisões da gestão sem sofrer algum tipo de consequência. O presidente do SIMA foi direto: escolas não podem ser transformadas em quartéis e professores não podem ser tratados como soldados.

AVISADOS COM ANTECEDÊNCIA, GOVERNO MARTELLO ESCOLHEU NÃO ESCUTAR

O governo sabia da paralisação, das pautas e da insatisfação da categoria. Mesmo assim, nenhuma estrutura foi organizada para receber os trabalhadores. Douglas Martello deixou a Prefeitura sem dialogar com os servidores. Ítalo Manieri, principal responsável pelas pautas que motivaram a mobilização, sequer compareceu e não designou previamente qualquer representante para dialogar com a categoria.

A reunião com o governo só aconteceu após a ocupação pacífica da Prefeitura. Somente depois da pressão exercida pelo SIMA e pelos servidores a administração encaminhou a secretária adjunta Fernanda Ribeiro para receber representantes da categoria. Enquanto os servidores aguardavam no Salão Nobre da Prefeitura por uma resposta da administração, a secretária optou por restringir a conversa a uma pequena comissão formada por representantes sindicais, docentes e pela assessoria jurídica do sindicato.

Durante a reunião, Rosseto solicitou que o dia de paralisação não fosse descontado dos servidores e apresentou uma pauta envolvendo falta de professores, assédio moral, crise da inclusão, mudanças de horários, fechamento de turmas da EJA, salas superlotadas e falta de diálogo. Em troca, recebeu apenas a promessa de que as reivindicações seriam encaminhadas à administração. Nenhuma solução. Nenhum encaminhamento concreto. Nenhuma resposta. A principal denúncia feita pelos trabalhadores ao longo dos últimos meses havia sido confirmada dentro da própria Prefeitura: o problema da educação de Alvorada não é falta de informação. É falta de escuta.

E quando um governo deixa de ouvir professores, estudantes, famílias, entidades e seus próprios servidores, ele deixa de cumprir a obrigação mais básica de quem administra uma cidade: escutar a população que governa. Se Douglas Martello e seus secretários não estão dispostos a dialogar com Alvorada, talvez seja hora de refletirem se ainda desejam ocupar cadeiras cuja principal responsabilidade é justamente ouvir quem está do outro lado da mesa. Porque governar não é ocupar um cargo. Governar é escutar, dialogar e responder aos problemas antes que eles se transformem em crise.

RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)