49 APROVADOS PARA MONITOR INFANTO-JUVENIL AINDA ESPERAM A CONVOCAÇÃO: ENTENDA COMO A MOBILIZAÇÃO PODE MUDAR ESSA HISTÓRIA
Existe uma pergunta que acompanha toda conquista dos trabalhadores: por que algumas categorias conseguem mudar decisões de governos enquanto outras passam anos esperando? A resposta pode explicar não apenas as grandes vitórias do SIMA, mas também o futuro dos 49 candidatos aprovados no Concurso Público nº 01/2023 para Monitor Infanto-Juvenil da Prefeitura de Alvorada.
Pense na seguinte situação. Amanhã um direito seu deixa de existir. O que você faz? Reclama nas redes sociais? Comenta no grupo da categoria? Espera que alguém resolva? Ou procura seus colegas para lutar? Parece uma pergunta simples. Mas ela separa as categorias que conquistam direitos daquelas que passam anos esperando.
Ter razão nunca bastou. Se bastasse existir um direito, não haveria assembleias, campanhas salariais, greves ou sindicatos. Se bastasse existir um concurso público, todos os aprovados já estariam trabalhando. Um servidor sozinho pode convencer. Uma categoria organizada obriga qualquer governo a negociar.
Foi assim com o vale-alimentação. Foi assim com o descongelamento dos 583 dias. Foi assim na defesa do piso do magistério. Foi assim no reenquadramento dos educadores sociais. Nenhuma dessas vitórias nasceu da boa vontade de um governo. Todas nasceram da mobilização. O SIMA organiza, representa e abre caminhos. Mas quem transforma esses caminhos em conquista é uma categoria que decide não esperar sentada.
O GOVERNO MARTELLO NÃO IGNOROU APENAS 49 APROVADOS. ESCOLHEU IGNORAR O PRÓPRIO CONCURSO PÚBLICO.
Em março de 2024, a Prefeitura homologou o Concurso Público nº 01/2023. Entre os aprovados estavam 49 candidatos ao cargo de Monitor Infanto-Juvenil. O concurso continua válido. Os aprovados continuam esperando. E a necessidade continua existindo. A saída da ABESS apenas escancarou o problema: mais de 1.500 estudantes atípicos passaram a depender de um modelo que entrou em crise.
O governo costuma dizer que 49 monitores não são suficientes para atender toda a rede. Mas essa justificativa levanta outra pergunta. Se 49 não bastam, por que não convocá-los e abrir um novo concurso? Se a necessidade é permanente, por que a resposta continua sendo terceirizar?
A pergunta faz ainda mais sentido quando se observa o restante do governo. Na inclusão escolar, terceirização. Na iluminação pública, PPP. Parque da Solidariedade em leilão. Tentativa de vender receitas futuras da dívida ativa. Os fatos mudam. O roteiro continua igual. Quando surge um problema, fortalecer o serviço público quase nunca é a primeira opção. A prioridade é sempre terceirizar, vender ou leiloar.
O SIMA denunciou, cobrou, reuniu documentos e levou o caso ao Ministério Público. Mas existe uma verdade que nenhuma categoria deveria esquecer: esperar nunca convocou ninguém. Concurso público não nomeia servidor. Quem nomeia é um governo.
E governo só muda quando a pressão muda de tamanho. A Prefeitura nunca teve dificuldade para ignorar 49 nomes numa lista. A dificuldade começa quando esses 49 deixam de ser uma lista e passam a ser uma mobilização.
A PRÓXIMA CONQUISTA PODE SER A SUA. MAS ELA TAMBÉM NÃO VAI COMEÇAR SOZINHA.
Hoje a luta é pela convocação dos 49 aprovados. Amanhã poderá ser pelo seu plano de carreira, pelo seu reajuste, pelas condições de trabalho ou pela sua aposentadoria. O nome da pauta muda. A regra nunca mudou. O Governo não recua porque alguém reclamou nas redes sociais. O Governo recua quando encontra uma categoria organizada.
Para o presidente Rosseto, valorizar o servidor público é valorizar a própria cidade. “O servidor é o maior patrimônio da nação. É ele quem faz a educação acontecer, garante o atendimento na saúde, fortalece a assistência social e mantém os serviços públicos funcionando todos os dias.” Defender o servidor é defender uma Alvorada melhor para toda a população.
Nenhum direito vem de forma automática. É resultado de luta, mobilização e unidade. Aos 49 aprovados, fica o convite: organizem-se, caminhem ao lado do sindicato e fortaleçam essa mobilização. Porque as maiores vitórias do SIMA nunca nasceram da espera. Nasceram quando os servidores decidiram lutar juntos.
RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)