Coleta de lixo em Alvorada: crise expõe falhas da terceirização
A coleta de lixo em Alvorada enfrenta uma crise que vai muito além de falhas pontuais. O que está acontecendo na cidade é resultado direto de decisões políticas que optaram pela terceirização do serviço e agora assiste às consequências se agravarem, colocando a população em risco. O cenário atual não surgiu por acaso. Ele tem origem, tem histórico e tem responsáveis.

O começo do problema: trocar o erro pelo mesmo modelo
Em outubro de 2025, o governo Martello (PL) rompeu o contrato com a Coleturb, empresa que já acumulava falhas graves na coleta de lixo em Alvorada. O problema foi reconhecido, mas, ainda assim, a solução adotada seguiu o mesmo caminho: saiu uma terceirizada, entrou outra, a ECSAM Serviço Ambiental.
Não houve mudança estrutural. Não houve fortalecimento do serviço público. Além disso, não houve enfrentamento da raiz do problema.
O resultado foi previsível. Em menos de quatro meses, a ECSAM já acumulava notificações e multas pelas mesmas falhas que motivaram a troca anterior.
Colapso da coleta de lixo em Alvorada expõe falhas
No contrato, a promessa era de frota nova, eficiência e regularidade na coleta de lixo. Na prática, ocorreu o oposto.
Em fevereiro de 2026, diante do colapso do serviço, a própria Prefeitura de Alvorada precisou colocar dez caminhões próprios nas ruas para tentar conter a crise.
Esse dado levanta um questionamento inevitável: se existe estrutura pública e capacidade operacional, por que não investir em um serviço permanente com servidores concursados?

Terceirização e instabilidade: um ciclo que se repete
Desde o início, o presidente Rosseto alertou que trocar empresas sem mudar o modelo não resolveria o problema. A terceirização, nesse formato, já demonstrou falhas repetidas.
Em abril de 2026, a situação se agravou ainda mais com a paralisação dos trabalhadores da ECSAM por atraso de salários, ao mesmo tempo em que a empresa anunciava contratações emergenciais.
Esse cenário evidencia o principal problema da terceirização: a instabilidade constante.
Falhas na coleta de lixo em Alvorada viram risco à saúde
O acúmulo de lixo vai além de um problema urbano. Ele se transforma em um risco sanitário direto.
Com o lixo acumulado, aumentam os focos do mosquito e a possibilidade de disseminação de doenças. Em 2025, Alvorada registrou mais de mil casos de dengue, e o cenário segue preocupante em 2026.
Bairros como Porto Verde, Jardim Algarve e Torotama já convivem com a realidade da coleta irregular e do aumento do risco à saúde.
Diante desse cenário, a pergunta é inevitável: quanto vale a saúde da população?
Hoje, a resposta da administração parece priorizar contratos em detrimento de um serviço público estruturado e contínuo.
O SIMA segue cumprindo seu papel de denunciar, pressionar e apontar soluções.
- Investimento em serviço público próprio
- Realização de concurso público
- Formação de equipes permanentes
- Estrutura municipal adequada
O lixo nas ruas não é um acidente. É consequência de decisões políticas.
Não existe cidade limpa sem servidor
O SIMA seguirá independente, atuante e para os servidores, cobrando um serviço público forte, contínuo e comprometido com a vida das pessoas. Porque não existe cidade limpa sem servidor, não existe saúde sem prevenção e não existe gestão eficiente baseada em improviso.