Cemitério Municipal de Alvorada: quando até na morte o abandono é realidade!
, Espaço público segue em colapso, sem vagas, estrutura precária e denúncias de irregularidades
Uma despedida marcada pela dor e pelo descaso
Nesta semana, Alvorada perdeu mais do que um servidor: perdeu um pedaço de sua história. Um patroleiro que dedicou sua vida a abrir caminhos, pavimentar ruas e ajudar a construir a cidade que conhecemos.
As ruas que hoje percorremos carregam a marca do seu trabalho.
O motivo? Não havia vaga. Só seria possível enterrar o servidor caso algum familiar já pudesse ser exumado para dividir o mesmo espaço. Uma regra que parece absurda, mas que escancara o tamanho do abandono.
Sem alternativa, a família correu às pressas ao cemitério particular da cidade. Entre a dor da perda e a burocracia imposta pela negligência, tiveram que improvisar, em meio às lágrimas, a despedida de quem deu sua vida pela cidade.
Essa realidade levanta uma pergunta incômoda: depois de oito meses à frente do município, não há recursos para arrumar o cemitério?
Mas vamos pensar que, talvez, nem seja uma prioridade para a gestão atual melhorar o cemitério municipal, afinal, irão gastar acima de R$300 mil em um único artista dos 4 que vão se apresentar no show de 60 anos da cidade!
A cultura merece atenção, é verdade. Afinal, ela é instrumento de educação, gera pertencimento, fortalece a identidade da comunidade e ainda movimenta a economia local. Um show pode alegrar, reunir famílias e trazer lazer para quem tanto precisa. Mas a dignidade também começa e termina no básico: nascer com direitos e morrer com respeito.
Um problema antigo, que se arrasta há anos
O abandono do Cemitério Municipal não começou agora. Em 2024, o desmoronamento das galerias da quadra E provocou a queda de cerca de 90 gavetas com corpos sepultados. Um episódio que deveria ter sido suficiente para virar prioridade absoluta. Mas não foi.
Na época, Rosseto já alertava: tratava-se de uma “tragédia anunciada”.
De lá para cá, a situação só se agravou. Vegetação alta, esgoto a céu aberto, focos de dengue, estruturas prestes a cair. Banheiros insalubres, presença de ratos, cães, baratas e pombos circulando pelo espaço.
A lista de problemas é longa: falta de acessibilidade, iluminação precária, fios desencapados, risco de curto-circuito, encanamentos improvisados, ausência de sinalização, falta de limpeza nos esgotos e até vestiários em situação caótica.
Enquanto isso, os servidores seguem sem condições mínimas de trabalho. Apenas dois coveiros e uma servente de limpeza atendem um município com mais de 200 mil habitantes. É o retrato do sucateamento.
Famílias pagam taxas anuais, mas o dinheiro não retorna em melhorias. O espaço, que deveria acolher a memória da cidade, se tornou sinônimo de descaso.

O que precisa mudar: soluções urgentes e possíveis
Não dá mais para adiar. Se o Cemitério Municipal chegou a esse nível de abandono, é fruto da falta de planejamento, gestão e respeito. Existem respostas possíveis, e todas começam com ação imediata:
- Reformas estruturais nas galerias e quadras para evitar novos desmoronamentos.
- Acessibilidade e dignidade, com rampas, banheiros adequados, sinalização e iluminação.
- Combate ao risco sanitário, com limpeza, drenagem, dedetização e eliminação de focos de dengue.
- Condições de trabalho seguras para os servidores, com EPIs, uniformes e espaços de apoio.
- Reforço no quadro de pessoal, via concurso público e novas contratações.
- Transparência nos recursos, garantindo que as taxas pagas retornem em melhorias reais.
E há mais uma necessidade evidente: a criação de um estacionamento diagonal na Rua Oscar Schick, ao lado do cemitério, em espaço já disponível. E também sinalização na rua, para organizar o fluxo, trazer segurança às famílias e facilitar o acesso em momentos de luto. Essas medidas não são luxo. São o mínimo que uma cidade que respeita sua história deve garantir aos vivos e aos que descansam: o direito de viver com respeito e partir com paz.
Se Alvorada é a terra que nos viu nascer e crescer, ela também precisa ser o lugar que nos acolha no descanso final.
Chega de abandono, de silêncio e de desrespeito.
👉 Seguiremos independentes, atuantes e ao lado dos servidores, lutando por dignidade em vida, dignidade na morte e respeito à população de Alvorada.
RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)