SETEMBRO AMARELO E 35 ANOS DO SUS: SERVIDORES ADOECEM E SIMA RESISTE
Enquanto os servidores estão adoecendo. O SIMA continua lutando pela saúde do servidor, fazendo denúncias ou oferecendo apoio: jurídico, de planos de saúde, odonto e a partir do próximo mês, de psicólogos!
QUANDO O TRABALHO ADOECE, NÃO HÁ CAMPANHA QUE CURE
Setembro pinta o Brasil de amarelo para falar de saúde mental e prevenção ao suicídio. Mas, para além das fitas, palestras e campanhas bonitas, a realidade do servidor público municipal de Alvorada grita: há categorias inteiras adoecendo, muitas vezes em silêncio.
Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, burnout. Palavras que antes habitavam apenas manuais médicos hoje ocupam salas de aula, consultórios, patrolas, postos de saúde e vários outros departamentos onde o servidor trabalha. O servidor está cansado, esgotado, vivendo no piloto automático. Isso não é acaso: é consequência de baixos salários, sobrecarga, perseguições e a falta de valorização por parte dos governos.
Um caso recente ilustra bem essa realidade: um professor que sofreu tentativa de agressão no trabalho, em vez de ser protegido, foi punido pela Prefeitura com uma remoção arbitrária. O SIMA reagiu. A Justiça reconheceu o absurdo e garantiu o direito de permanência. Esse episódio é só a ponta de um iceberg. Cada remoção, cada regime imposto sem diálogo, cada ataque fragiliza não só quem trabalha, mas todo o serviço público. E a saúde mental é sempre o primeiro alvo dessa política de desvalorização.
No final, prevenção não pode ser só um laço no peito. Prevenção é salário digno, jornada justa, ambiente saudável e respeito. Porque quando o servidor adoece, não é apenas ele quem perde: toda a cidade perde.
PSICOLOGOS NO SIMA: CUIDADO COMO RESISTÊNCIA
Foi justamente ouvindo a base que o sindicato decidiu dar um novo passo, trazer mais um atendimento semanal para os servidores.Nas redes sociais, quando perguntamos a opinião dos servidores para esse novo serviço, o que nos foi respondido foram o seguinte: “Sim, preciso e muito!”, “Que ótima iniciativa!”, “Eu estou precisando!”. O recado foi claro: há uma demanda urgente, real e latente.
Por isso, o SIMA anuncia: a partir do próximo mês, dois psicólogos atenderão na sede do SIMA. Consultas a preço solidário, voltadas para filiados e seus familiares de primeiro grau.
Não é caridade. É compromisso. É resposta concreta a um problema que não pode mais ser empurrado para debaixo do tapete. Assim como já acontece com planos de saúde, assessoria jurídica, auxílio funeral e tantos outros serviços, essa nova conquista mostra: mesmo diante do descaso dos governos, o SIMA segue atuante, independente e para os servidores.
SUS: 35 ANOS DE UMA CONQUISTA DO POVO
Se falar de saúde mental é urgente, também é impossível ignorar outra data de setembro: o aniversário do Sistema Único de Saúde, que completa 35 anos no dia 19.
O SUS é uma das maiores conquistas da classe trabalhadora brasileira, fruto da mobilização popular e garantido pela Constituição de 1988. No papel, prevê atenção integral e preventiva. Mas, nos postos de saúde de Alvorada, a realidade é outra: equipes desfalcadas, agentes sobrecarregados, consultas adiadas e falta de estrutura.
Não é falta de modelo. É falta de prioridade política. É o desmonte por dentro, que adoece usuários e servidores. Celebrar o SUS é também denunciar esse descaso e lutar para que cada direito escrito na lei seja vivido na prática.
RESISTIR É CUIDAR
O papel do sindicato é claro: denunciar, mas também construir alternativas. O SIMA já garantiu vitórias contra perseguições, lutou por planos de carreira, conquistou reajustes históricos e agora amplia sua atuação também no campo da saúde mental.
Enquanto o governo fecha portas, o sindicato abre caminhos. Enquanto a administração desvaloriza, o SIMA valoriza. Enquanto tentam calar, o sindicato dá voz.
Setembro nos lembra que cada vida importa. O SUS nos lembra que cada conquista é fruto de luta. E os servidores nos lembram, todos os dias, que não existe cidade sem serviço público, nem serviço público sem servidor saudável.
Por isso, mais do que nunca, é hora de resistir. Resistir contra o adoecimento imposto pelo descaso. Resistir contra os retrocessos. Resistir pelo direito de trabalhar com dignidade.
A saúde mental é coletiva, assim como a resistência, e o SIMA resiste de pé, atuante, independente e para os servidores. Mas nenhuma luta se vence sozinho, precisamos que os servidores também estejam atuando junto com o sindicato.
Servidor, participe. Filie-se. Cuide de você, lute com a sua categoria. Porque juntos, somos mais fortes.
RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)