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 Saúde da Família: o SUS que a gente merece e a realidade que a Prefeitura impõe

Saúde da Família: o SUS que a gente merece e a realidade que a Prefeitura impõe

Atenção básica: o SUS que está no papel é bem diferente do que você vê no posto. Entenda por quê.

O MODELO  IDEAL DA ESF

Imagine um sistema de saúde em que cada família de Alvorada tivesse alguém que conhece seu nome, sua história e suas necessidades. Um agente que visita a gestante, acompanha o diabético, lembra da vacinação das crianças. Esse é o coração da Estratégia Saúde da Família (ESF): um modelo pensado para garantir prevenção e cuidado antes que a doença chegue à emergência.

Na teoria, é assim que deveria funcionar. Na prática, profissionais e usuários enfrentam desafios que podem limitar a atenção integral, impactando a saúde da população e a rotina de trabalho dos servidores.

Segundo a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), cada equipe deve contar com:

  • 1 médico
  • 1 enfermeiro
  • 2 técnicos de enfermagem
  • 4 ou mais agentes comunitários de saúde (ACS)
  • Equipe de saúde bucal

O ACS tem um papel central: viver na comunidade, conhecer as famílias, acompanhar hipertensos, diabéticos, gestantes e crianças, e realizar ações de prevenção de forma contínua. O ideal é que cada ACS acompanhe até 750 pessoas, e que cada equipe tenha no máximo 4 mil pessoas sob responsabilidade, garantindo vínculo, atenção constante e cuidado personalizado.

Como descreveu uma ACS:

“O agente tem que conhecer a comunidade. E ele acaba realizando o seu trabalho até no domingo, quando encontra a família que atende no mercado, na feira ou na igreja, porque a prevenção não tem hora. Esse é o nosso papel, é a alma do SUS.”

DESAFIOS OBSERVADOS NA PRÁTICA

Embora o modelo seja claro, existem dificuldades estruturais e organizacionais que podem comprometer o cuidado:

  • Tarefas administrativas e deslocamentos: ACS acabam dedicando parte do tempo a funções diferentes das previstas, o que limita o contato direto com as famílias.
  • Territórios amplos ou fora do vínculo: acompanhar bairros que não conhecem torna mais difícil garantir prevenção e acompanhamento contínuo.
  • Rotina dentro do posto: médicos e enfermeiros muitas vezes permanecem concentrados em atendimentos espontâneos, deixando menos tempo para visitas domiciliares e ações educativas.
  • Limitações de infraestrutura: atividades comunitárias, como grupos educativos, dependem de apoio logístico e espaços adequados, que nem sempre estão disponíveis.

Esses fatores podem reduzir a efetividade do SUS e dificultar que a atenção primária atinja sua função principal: prevenir doenças e cuidar da população de forma contínua e próxima.

IMPACTOS PARA A POPULAÇÃO 

Quando o cuidado preventivo não é totalmente possível, os efeitos são sentidos rapidamente:

  • Hipertensos e diabéticos podem ter acompanhamento irregular;
  • Gestantes podem ter consultas de pré-natal adiadas;
  • Crianças podem perder doses de vacinação;
  • Doenças evitáveis podem gerar maior demanda nas unidades de saúde.

Um sistema de atenção primária que enfrenta essas dificuldades pode entrar em um ciclo de sobrecarga, que afeta tanto servidores quanto usuários.

O CAMINHO PARA O FORTALECIMENTO DA ESF

Para que a atenção básica funcione de acordo com a lei e alcance seu potencial, é importante:

  • Garantir profissionais com formação adequada e quadro estável, incluindo ACS com nível médio;
  • Manter vínculo real com a comunidade e limites claros de território;
  • Oferecer condições de infraestrutura e logística para ações preventivas;
  • Valorizar e capacitar os profissionais, fortalecendo o SUS de forma sustentável.

O objetivo é que cada unidade funcione plenamente: prevenção, acompanhamento contínuo e cuidado humanizado para cada família.

ATENÇÃO QUE TRANSFORMA VIDAS

A Saúde da Família pode transformar vidas. Conhecer cada rua, cada bairro, cada família não é só uma obrigação técnica: é prevenção que salva, cuidado que chega onde é preciso.

Em Alvorada, essa realidade está ao alcance. Com profissionais valorizados, equipes bem estruturadas e atenção constante, podemos oferecer mais saúde, mais prevenção e melhor qualidade de vida para todos. E nessa jornada, o SIMA segue ao lado dos servidores, independente, atuante e para os servidores, garantindo que cada passo dado na direção do SUS seja uma conquista real, para quem trabalha e para quem precisa de cuidado.

 

RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)