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 ADULTIZAÇÃO E A REALIDADE DE ALVORADA

ADULTIZAÇÃO E A REALIDADE DE ALVORADA

O influenciador Felca fez um vídeo denunciando a sexualização precoce nas redes sociais. E o que isso tem a ver com Alvorada? Muito mais do que você imagina.

O que é adultização infantil e quem é Felca

A adultização infantil é quando crianças e adolescentes são expostos a situações, comportamentos ou responsabilidades próprias de adultos, muitas vezes com conotação sexual, interrompendo sua infância e prejudicando o desenvolvimento emocional, cognitivo e psicológico.

O influenciador brasileiro Felca (Felipe Bressanim) tornou-se centro de debate nacional ao expor, em um vídeo com mais de 36 milhões de visualizações até o momento, como redes sociais e famílias contribuem para a sexualização de menores. Casos chocantes, como o da Kamylinha, explorada desde os 12 anos pelo influenciador Hytalo Santos, que monetizava vídeos dela dançando de forma sensualizada, foram mostrados. Ambos os perfis foram derrubados após a denúncia.

Felca destacou o “algoritmo P”, que recomenda vídeos de crianças em contextos sugestivos para usuários com más intenções, e mostrou como comentários e interações online são usados para exploração. Muitos pais, infelizmente, incentivam a superexposição de seus filhos para lucrar com monetização, transformando menores em “produtos” digitais.

JC, Jornal da Criança e Jovens - Como falar sobre adultização infantil nas  redes sociais?
Fonte: Jornal da Criança e Jovens – Como falar sobre adultização infantil nas redes sociais?

E o que isso tem a ver com Alvorada?

Essa ameaça não está longe daqui. Em Alvorada, muitas famílias enfrentam jornadas longas e exaustivas, tornando a supervisão das redes sociais de seus filhos um desafio diário. Servidores da saúde, educação e assistência social sabem que, enquanto cumprem plantões e responsabilidades desgastantes, seus filhos podem estar imersos em um mundo digital sem filtros, sem limites e fora do controle dos pais, que passam mais tempo trabalhando do que em casa acompanhando o cotidiano da família.

Mas a adultização infantil não é só virtual: acontece nas ruas, nas escolas, nas casas e até no único abrigo da cidade. Muitas crianças precisam abandonar os estudos para trabalhar ou cuidar de familiares, assumindo responsabilidades para as quais não estão preparadas.

A violência escolar também é alarmante. Em 2023, o Disque 100 registrou aumento de 50% nas denúncias de agressões de adolescentes a crianças em escolas do RS. Pesquisa da Federação dos Sindicatos de Servidores Municipais do RS – FESISMERS, mostra que 80% dos docentes já sofreram agressões verbais de alunos influenciados por comportamentos adultizados, e muitos vivem com medo pela própria segurança.

A denúncia nacional e a resposta do Congresso

O vídeo de Felca ganhou repercussão nacional e virou pauta no Fantástico. O presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que pautará projetos ainda esta semana para combater perfis e conteúdos que promovam a adultização infantil nas redes. A ministra Gleisi Hoffmann destacou que as plataformas digitais devem ser responsabilizadas, pois a internet não pode ser um território sem lei. Segundo o Instituto Alana, a exposição precoce gera erotização infantil e prejudica o desenvolvimento emocional, aumentando riscos graves para o futuro das crianças.

Fonte: G1.com

Por que é fundamental agir em Alvorada

A luta contra a adultização infantil em Alvorada não pode esperar. Cada dia em que crianças perdem sua infância enfraquece o futuro da cidade. O SIMA reforça que a resposta precisa ser imediata e coordenada em três frentes:

  • Políticas públicas que responsabilizem plataformas digitais e limitem a circulação de conteúdos nocivos.

  • Formação e apoio para servidores, com equipes preparadas, atendimento psicológico e ações de prevenção em escolas e abrigos.

  • Conscientização da comunidade, para que famílias e responsáveis compreendam os riscos da exposição precoce e do consumo de conteúdos inadequados.

Não se trata apenas de proteger crianças isoladas, é defender o futuro coletivo de Alvorada. O SIMA segue independente, atuante e para os servidores, porém, também lutando por políticas públicas que garantam proteção real às crianças e adolescentes da cidade, pois essa luta não pode esperar.

 

Rodinei Rosseto
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)