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 SEGUNDO AUMENTO DA PASSAGEM INTERMUNICIPAL NO ANO ESCANCARA O ABANDONO DO TRANSPORTE PÚBLICO

SEGUNDO AUMENTO DA PASSAGEM INTERMUNICIPAL NO ANO ESCANCARA O ABANDONO DO TRANSPORTE PÚBLICO

Enquanto a população enfrenta salários congelados, filas na saúde e o alto custo da alimentação, as passagens intermunicipais voltam a subir. De novo. Em menos de seis meses, o povo trabalhador já sente no bolso dois aumentos consecutivos nas tarifas das linhas da Metroplan que ligam Alvorada a Porto Alegre.

TARIFAS EM ALTA, TRANSPARÊNCIA EM BAIXA

O primeiro reajuste foi silencioso, quase invisível, aplicado no dia 1º de fevereiro. Sem consulta pública. Sem debate. Sem transparência. Já o segundo aumento, oficializado agora em julho, atingiu em cheio milhares de Alvoradenses que dependem diariamente do transporte público para estudar, trabalhar, cuidar da saúde ou apenas circular entre as cidades.

A linha Alvorada – Protásio Alves exemplifica o impacto:

  • Em fevereiro, subiu de R$ 7,15 para R$ 8,15.
  • Em julho, mais um aumento: agora custa R$ 8,80.

Ou seja, R$ 1,65 de aumento em apenas cinco meses. E essa realidade se repete em todas as linhas da Metroplan.

MAS QUEM PAGA ESSA CONTA?

Servidores públicos e trabalhadores com carteira assinada, em regra, não sentem diretamente esse custo: a passagem entre casa e trabalho é paga pelo empregador. Mas quem é PJ, estudante, desempregado ou autônomo, sente no bolso, e sente fundo.

São milhares de pessoas que moram em Alvorada, estudam ou trabalham em Porto Alegre e precisam pagar R$ 17,60 por dia, R$ 88,00 por semana, R$ 352,00 por mês — só para circular. Para quem ganha pouco, ou depende da informalidade para sobreviver, isso é o mesmo que dizer: “não vá”.

É o direito de ir e vir sendo restringido por uma tarifa que cresce mais rápido do que o salário. E quando questionam se o serviço melhorou junto com o preço, a resposta nas redes sociais resume bem:

“Sempre alegam tabelas de custos, mas os custos dos trabalhadores engordam seus patrimônios.”

“Se o transporte de vocês ainda fosse bom, nós pagávamos com prazer! Agora não tem ônibus suficiente para o povo e querem aumentar?”

“Aumentaram também a quantidade de ônibus? Principalmente nos horários de pico? Porque ônibus de hora em hora pra encher na primeira parada é um absurdo.”

O povo sente, o povo sabe. E o povo está falando.

GOVERNO OMISSO, POPULAÇÃO PUNIDA

Até agora, o que o governo municipal fez diante desse cenário? Absolutamente nada. Nenhuma política de subsídio. Nenhum plano para proteger os mais pobres. Nenhuma resposta concreta para reduzir o impacto. Pior: nem transparência básica foi garantida.

Por isso, o presidente do SIMA, Rodinei Rosseto, atendendo ao pedido dos servidores filiados ao SIMA e da população Alvoradense, enviou um Pedido de Acesso à Informação à Prefeitura de Alvorada, constando:

  • As planilhas de custo que embasaram o aumento;
  • Os estudos técnicos que justificaram o reajuste;
  • O processo administrativo completo e as atas de decisão;
  • A cópia do contrato de concessão com a empresa SOUL;
  • E uma justificativa formal para o reajuste.

Transporte público não é um favor. É um serviço essencial e deve ser tratado com a devida responsabilidade. A população precisa saber quem decidiu, com base em que números, e por quê.

QUANDO A CIDADE NÃO TE ESCUTA, O SINDICATO FALA POR VOCÊ

O SIMA não vai se calar. Vamos cobrar, pressionar e exigir respeito. Porque o transporte público é um direito, e direito não se negocia, se defende. Esse aumento não é apenas financeiro. É simbólico. É mais um lembrete cruel de que o trabalhador continua sendo deixado por último na fila das prioridades.

Se você é servidor, se sente o impacto disso tudo e ainda não está organizado, junte-se ao sindicato. Porque reclamar sozinho não muda nada. Mas resistir coletivamente muda tudo. A luta continua, lutar vale a pena!

 

RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)