ESTADO DE GREVE APROVADO E RESISTÊNCIA ORGANIZADA: SERVIDORES DIZEM NÃO AO DESMONTE DA EDUCAÇÃO
Servidores lotaram o salão do SIMA no dia 24 de junho para denunciar os ataques do governo de Douglas Martello à educação, à saúde e à dignidade do funcionalismo. A assembleia aprovou por unanimidade o estado de greve, exigiu a manutenção do IPÊ Saúde e reafirmou: nenhum direito a menos.
ATENTATIVA DE DESMONTE DA EDUCAÇÃO EM ALVORADA
No dia 24 de junho, o salão do SIMA deixou de ser apenas espaço de eventos e se transformou, mais uma vez, em trincheira de luta. Professores, trabalhadores da saúde e servidores de outras áreas disseram basta. Não à pressão. Não ao assédio. Não ao desmonte.
A Assembleia Extraordinária convocada pelo sindicato reuniu centenas de servidores indignados, conscientes e dispostos a dizer basta. Diante de ameaças à hora-atividade, ao plano de saúde e à dignidade profissional dos trabalhadores, a decisão foi unânime: estado de greve deflagrado.
Enquanto os ataques aos direitos dos servidores aumentam, a solidariedade entre eles também se fortalece. Antes da assembleia, os presentes foram acolhidos com um sopão quente, preparado pelo projeto Mulheres Guerreiras, grupo de mulheres que todas as quartas-feiras utiliza a cozinha do sindicato para preparar e distribuir refeições às comunidades carentes de Alvorada. Em um dia de frio intenso, com termômetros marcando 7°C, o alimento simbolizou mais que sustento: foi um gesto de cuidado coletivo e resistência. Porque quando o Estado falha, é a união entre trabalhadores que garante dignidade.
FIM DA HORA-ATIVIDADE: QUANDO O DIREITO VIROU ALVO
A tentativa da administração municipal de extinguir a hora-atividade dos professores foi o estopim. Um ataque direto à Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e à Constituição, que garante a gestão democrática da educação. Mais do que um direito funcional, a hora-atividade é o tempo que o professor tem para planejar, corrigir, estudar, ou seja, ensinar com qualidade.
Relatos emocionados marcaram o momento: professores sendo pressionados, ameaçados de transferência, coagidos a ceder por medo ou necessidade.
“A proposta da prefeitura não é só imoral, é ilegal. E nós não vamos aceitar”, afirmou Leonardo Girotto, advogado e sócio – proprietário do escritório de advocacia GLZ Advogados, escritório que já atende o sindicato e filiados há mais de 10 anos.
A assembleia deliberou, por unanimidade:
- Rejeição total da proposta do governo de Douglas Martello
- Manutenção da hora-atividade como direito inegociável;
- Deflagração imediata do estado de greve (24/06/2025);
- Criação de comissões por escola para fortalecer a resistência.
IPÊ SAÚDE: QUANDO O SERVIDOR FICA SEM CUIDADO
O Presidente do SIMA, Rodinei Rosseto, comunicou que a prefeitura decidiu não renovar o convênio com o IPÊ Saúde, mas deixou claro que as negociações ainda não foram encerradas.
- Diante da gravidade da situação, o sindicato apresentou uma proposta com três pontos:
- Manutenção do convênio com aumento do subsídio municipal;
- Criação de um vale-saúde de R$ 500 para os servidores;
- Respeito às diferentes realidades, permitindo que cada servidor escolha o plano que melhor atenda sua família.
Sem o convênio, o IPÊ cobrará por faixa etária e sem desconto em folha, com mensalidades que podem ultrapassar R$ 800, as cobranças serão feitas por boletos bancários, o que podem acabar gerando inadimplência e até cobranças judiciais.
A assembleia aprovou as seguintes medidas:
- Exigir a manutenção do convênio com aumento do subsídio;
- Criar alternativa de vale-saúde caso não haja renovação;
- Pagamento do IFA e bolda produtividade, que o governo de Douglas Martello deve desde Janeiro.
“Serviço público de qualidade começa com servidor saudável e valorizado. A prefeitura não pode lavar as mãos”, destacou Rosseto.
A ESCOLA VIROU PALCO DE MEDO?
Servidores relataram transferências arbitrárias e perseguições nas escolas. O jurídico do sindicato já atuou em diversos casos, conquistando vitórias judiciais com mandados de segurança. A orientação do SIMA é objetiva: Em casos de ameaças e desacatos, registre tudo, por fotos, áudios ou gravação e acione imediatamente o setor jurídico do sindicato.
“A escola deve ser lugar de aprendizagem, não de opressão.”, reforçou Girotto.
A EDUCAÇÃO PEDE SOCORRO. E OS SERVIDORES JÁ RESPONDERAM.
Em meio aos ataques do governo, a assembleia terminou com um recado claro: nenhum passo atrás. Desde janeiro, a gestão Douglas Martello retira direitos da educação, cortou a alimentação dos professores, impôs novos horários sem diálogo e, mesmo com o ano letivo em curso desde fevereiro, não ampliou a oferta de ônibus nos horários de pico, dificultando o acesso de alunos e educadores. Ignorou o Estado laico ao permitir cultos em escolas e, agora, ataca a hora-atividade. Falta gestão e sobra despreparo. O SIMA segue atuante, independente e ao lado dos servidores. Nenhum direito a menos.
RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)