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 QUE PAPO É ESSE DE “HOSPÍCIO ESCOLAR”?

QUE PAPO É ESSE DE “HOSPÍCIO ESCOLAR”?

A educação institucionalizada de Alvorada vem enfrentando severas resistências, sendo transformada em campo de batalha. Segundo a opinião de Fábio Martins, cargo em comissão do “governo da mudança”, os péssimos indicadores da área são resultado de negligência política histórica, sobretudo na aldeia. Em tom de reclamação, o governista elegeu a ideologia de estilo freireano que “contamina” o magistério e promove entraves às novas medidas, transformando as instituições em “hospício escolar” e desejando sorte às crianças, as mais afetadas. Será que está assim mesmo? Legítimo é o direito à opinião, seja ela qual for, mas é fundamental que se construam argumentos consistentes para que se analisem as medidas tomadas ao longo dos últimos anos. Há como fazer isso sem, ao menos, visitar e observar o funcionamento dos espaços escolares? Sim, há, mas recorrendo à… ideologia.

A gestão democrática, defendida em campanha pelo atual prefeito e vice-prefeito quando eram candidatos, por enquanto são apenas palavras ao vento. O que temos, por ora, é a herança deixada por Appolo13: direções de escolas indicadas pelo Poder Executivo, fortemente centralizadas — inclusive com aval do Judiciário — e que apenas executam o que a Secretaria de Educação determina. Absolutamente nenhum espaço para controvérsia ou alteração de rumos. Ao mesmo tempo, propôs-se o pagamento de décimo quarto salário, condicionado ao aumento do IDEB nas escolas. Portanto, dinheiro há. E como se faz isso? Pautando professores, principalmente os alfabetizadores. Muito “democrático”, e considerando a realidade das escolas, né?

Já que o texto de opinião governista fez referência à esquizofrenia, cabe questionar se a origem dela não está na Secretaria de Educação. Afinal de contas, o governo que quer aumentar os índices educacionais tem, ao mesmo tempo, promovido a realização de cultos “cristãos” em espaços escolares. Da mesma forma, impôs a cantoria do Hino Nacional nesses espaços. O recado é claro: professores alfabetizadores não sabem planejar e executar suas aulas a contento.

A grande novidade de 2025 é que fizeram a proeza de esticar a corda, chamando o magistério de ladrão. Afinal de contas, quando alegaram que a comida é exclusivamente para estudantes e que professores não podem comer do mesmo alimento junto aos alunos, acusaram-nos de roubo. O mesmo ocorre, sutilmente, agora, com a “proposta” do fim das reuniões pedagógicas e a unidocência parcial para professores alfabetizadores. Ou seja, segundo a SMED, a carga horária dos alunos é “roubada” por culpa de quem? Do magistério, considerado excessivamente “freireano”. Chama atenção que, em momento algum, foi aventada a hipótese de que são justamente os governantes que criaram essa situação. Enquanto esses mesmos estavam na oposição, fizeram o quê? Ficaram apenas observando.

Enfim, já que a opção aqui é rejeitar a neutralidade, o magistério da aldeia está sendo afetado por qual ideologia? Por aquela que atribui os males escolares exclusivamente aos professores, que é unilateral e autoritária, que imagina que professores são “freireanos esquerdalhas” — quando nunca o foram — e que acredita que educação se faz com guerra. Está evidente a mentalidade de conflito de setores que ocupam os cargos mais elevados da educação, pois querem desencadear crises e estimular greve. Isso lembra um certo governo — aqui mesmo na aldeia — de passado não tão distante, e já vivenciamos como essa história termina. Porém, diante do enfraquecimento generalizado das instituições, esses movimentos governistas estão fazendo emergir uma greve branca: um verdadeiro bombardeio de atestados. Médicos agradecem.

Enquanto isso, o Executivo Municipal poderia contribuir para uma efetiva mudança. Quem sabe ouvindo o magistério, para entender o que está acontecendo? Foi assim que o governo de João Carlos Brum — um governo que não foi a oitava maravilha do mundo —, em algum momento, executou um projeto chamado Fala Educação. E Brum está longe de ser um “esquerdalha freireano”. O fato é que, sob a liderança da ex-secretária Jussara Bitencourt na SMED, em parceria com a Câmara de Vereadores (ironicamente, hoje base de apoio do “governo da mudança”, mas atolada de integrantes indiciados por desvios de doações da enchente de 2024), promoveu-se um novo concurso e um Plano de Carreira. Os resultados vieram, estancando a crise desencadeada pela falta de professores e a alta rotatividade da época. De qualquer maneira, nosso recado é claro: integrantes do governo, deixem um pouco de lado o mundo onírico, a mentalidade de milico tarefeiro, e vão estudar (quem sabe, começando com o próprio Paulo Freire, Patrono da Educação Brasileira?). Diante do que são capazes, a desvantagem até agora é imensa: o que temos é um festival de vergonha alheia. Tomem vergonha na cara.

Em tempo: Este texto foi escrito para ser publicado no mesmo Portal em que Fábio Martins, cargo em comissão, publicou. Em contato com o dono do referido portal, ele me disse que a resposta poderia ser feita apenas por comentário no post original — e também em meu Facebook pessoal. Ou seja, só se publica se e quando houver dinheiro público envolvido… mercenário que se diz, né?

MARCITO LUZ
Professor substituto na E.M.E.F. Cecília Meirelles. Também atua como vice-diretor eleito no Instituto de Educação Nossa Senhora do Carmo. Para contato: marcitopoa@gmail.com


Marcito Luz é colunista convidado do SIMA, espaço que está aberto para todos os funcionários públicos que queiram contribuir com matérias e opiniões. Para mais informações ou para submeter seu texto, entre em contato com o SIMA pelo e-mail comunicacao.simaalvorada@gmail.com.