SERVIDORES EM ESTADO DE GREVE LEVAM O GRITO ÀS RUAS CONTRA O DESMONTE
Na última terça-feira, 1º de julho, servidores se reuniram em frente à Prefeitura de Alvorada em um grande ato de protesto, o Panelaço exigiu respeito, valorização e condições dignas de trabalho.
QUANDO A MOBILIZAÇÃO FALA MAIS ALTO
Na manhã do dia 1º de julho, o governo de Douglas Martello se sentou frente a frente com o SIMA. De um lado da mesa, estavam o presidente Rodinei Rosseto, a diretora Marinês Rodrigues, o diretor Fabiano Chaves, o diretor Felipe Gross e o representante da FESISMERS, Elias Moreira. Do outro lado, os secretários Taison Neves (Administração), Cristiano Oliveira (Geral de Governo) e Maurício Cardoso (Fazenda).
A pauta era urgente. Os ataques à educação, à saúde e a outras categorias vinham se acumulando desde o início do ano. A reunião já havia sido marcada e desmarcada algumas vezes. Quando o diálogo é ignorado, a mobilização força a escuta.
IPE SAÚDE: A INCERTEZA QUE ADOECE
Questionado sobre o fim do convênio com o IPÊ Saúde, o governo não apresentou nenhuma solução concreta. Disse apenas que está “fazendo um levantamento” para descobrir quantos servidores possuem plano de saúde, e que estuda uma possibilidade: repassar um auxílio saúde a cada servidor. Rosseto sugeriu a contratação de outro plano, coletivo e compulsório, garantindo que ninguém fique desassistido enquanto o impasse não é resolvido.
Mas a realidade é dura e imediata:
❌ Não há decisão tomada.
❌ Não há cronograma definido.
❌ E os servidores continuam sem respostas.
Enquanto isso, muitos estão pagando do próprio bolso, enfrentando boletos que ultrapassam R$ 800 e correndo o risco de ter o atendimento suspenso por inadimplência. Para os casos graves, como tratamentos oncológicos, a resposta do governo foi apenas um “lamentamos”.
Estamos falando de servidores que dedicaram toda a sua vida ao município, e que agora, quando mais precisam, são deixados à própria sorte.
HORA-ATIVIDADE: DIREITO NÃO SE NEGOCIA
Antes da reunião, Rosseto ainda encontrou o secretário de Educação, Ítalo Mainieri, no corredor. A resposta que ouviu foi tão surreal quanto alarmante: segundo Ítalo, a proposta dos R$ 350 ou 11 sábados seria apenas uma “pesquisa”, prevista para ser aplicada só em 2026.
Mas o que está acontecendo nas escolas está longe de ser uma simples consulta. Professores estão sendo chamados individualmente, sem testemunhas, e pressionados a aceitar condições absurdas. Que tipo de consulta é essa em que ou tu aceita calado ou te ameaçam com o dobro de trabalho?
ENQUANTO O GOVERNO ENROLA, A RUA RESPONDE: PANELAÇO!
Pouco depois da reunião, do lado de fora da Prefeitura, o clima era outro. A rua pulsava. O barulho das panelas, as faixas erguidas e as vozes unidas mostravam que os servidores estão atentos, organizados e prontos para o enfrentamento. Centenas de servidores participaram do Panelaço, um ato de denúncia e resistência.
E ao microfone, Rosseto não deixou dúvidas:
“Sozinhos e individualizados seremos destruídos. Porque cada dia estamos lutando pra manter o que é nosso. Não estão nos oferecendo nada, só nos tirando. Só juntos seremos capazes de resistir.”
“Hoje, o que mais adoece o servidor não é só a carga de trabalho, é o despreparo dos governos que vem se somando com os mesmos resultados ao longo dos anos. O servidor está desamparado, acuado, lidando com estruturas sucateadas, doenças como depressão e burnout, e ainda sofre perseguição.”
POR TRÁS DO PANELAÇO, OS SERVIDORES DIZEM BASTA
O Panelaço não foi um ato isolado. Foi a resposta coletiva de quem está sendo ignorado, sobrecarregado e desrespeitado.
Enquanto o governo exibe uma realidade maquiada nas redes sociais, com vídeos e discursos ensaiados, os servidores enfrentam o abandono. A escola virou lugar de medo. A SMOV está sucateada. O plano de saúde foi cortado sem alternativa. O IFA segue sem pagamento, mesmo com recurso disponível. Educadores sociais não tiveram a mudança de letra respeitada e continuam com o salário incorreto. E o compromisso de diálogo no Grupo de Trabalho foi simplesmente ignorado. Não bastasse o desmonte estrutural, o que se vê é uma gestão que atua na base da pressão e da imposição. Tudo isso parece seguir um roteiro já conhecido: deteriorar o serviço público até que a única saída apresentada seja a privatização. E assim, o que era direito vira produto, e o trabalho, ainda mais precarizado.
Diante desse cenário, a categoria reagiu. Foi pra rua, fez barulho, bateu panela. Porque quando o governo silencia, a mobilização grita. Os servidores sabem que direito não se mendiga. Se defende.
Só seremos valorizados e respeitados quando nos vermos como um só. Lutar é de todos!
RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)