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 REFORMA ADMINISTRATIVA OU DEFORMA ADMINISTRATIVA? ENTENDA O QUE ESTÁ EM RISCO!

REFORMA ADMINISTRATIVA OU DEFORMA ADMINISTRATIVA? ENTENDA O QUE ESTÁ EM RISCO!

Enquanto em Brasília falam em “modernização”, o que se desenha nos bastidores é uma das maiores ameaças aos direitos dos servidores públicos em toda a história do país. Uma proposta que, se aprovada, muda não apenas leis, muda o próprio sentido do serviço público: servir à população com dignidade, justiça e independência.

O DISCURSO BONITO E A VERDADE AMARGA

A chamada Reforma Administrativa, defendida pelo deputado Hugo Motta e parte da Câmara Federal, é uma bomba-relógio disfarçada de progresso. Ela destrói triênios, quinquênios e anuênios, direitos que reconhecem a experiência, o tempo e a dedicação de quem, com o suor do seu trabalho, construiu o Brasil.

Na prática, é um ato de usar e descartar: o Estado absorve uma vida inteira de serviço e, no fim, retira o reconhecimento.

Essa desvalorização cruel se alinha ao que o pensador Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida”, onde “as pessoas são tratadas como mercadorias: úteis enquanto conservam seu valor de uso, descartáveis quando esse valor se esgota.” É exatamente isso que a Reforma tenta transformar o servidor: em descartável.

E não para por aí. Auxílios básicos como alimentação, transporte e saúde, serão limitados a quem ganha próximo ao teto constitucional, ignorando a base da pirâmide, onde estão os servidores que sustentam escolas, hospitais e a limpeza urbana. Bonificações passarão a depender de metas inalcançáveis, criadas por quem nunca pisou no chão de uma escola ou atendeu uma fila de pacientes.

O golpe final desse retrocesso administrativo? A estabilidade.
A proposta coloca prazo até para o direito de servir com autonomia: dez anos!

Depois disso, “avaliações” poderão decidir o destino de quem dedicou a vida ao serviço público. Isso é a porta aberta para perseguições, demissões arbitrárias e o fim da imparcialidade, o que hoje é a única proteção real contra o uso político da máquina pública.

E QUEM JÁ ESTÁ APOSENTADO?

Nem os aposentados e pensionistas escapam dessa ofensiva. A proposta é implacável: ela veta novos benefícios e restringe severamente o uso de fundos especiais destinados aos inativos. Trata-se do desmonte da dignidade na fase final de uma trajetória que entregou anos de sua história pelo bem-estar dos brasileiros.

Essa lógica não só penaliza quem já se aposentou, mas também desmotiva e enfraquece a próxima geração de servidores públicos. Afinal, por que dedicar uma carreira ao Estado se o reconhecimento final é o descarte e o corte de direitos?

E é crucial entender: quando o servidor perde, quem mais sofre é a população. A sociedade depende de um serviço público forte, valorizado e humano. Um professor desmotivado, um agente de saúde sobrecarregado ou uma equipe de limpeza urbana sem recursos reflete diretamente na qualidade da educação, na eficiência do atendimento médico e na infraestrutura básica. A precarização da carreira do servidor é, em última instância, a precarização do serviço à nação brasileira.

MODERNIZAR PARA QUEM?

É fácil discursar sobre eficiência quando não se conhece o peso do trabalho público. É fácil falar em “gasto” quando não se enxerga o servidor como investimento. A proposta vendida como solução, na verdade, entrega controle, enfraquecimento e privatização disfarçada, pois a modernização é pensada para os interesses do mercado e para o controle político, e não para a população brasileira.

Ao destruir a estabilidade, a reforma confere à elite política um poder de controle sem precedentes sobre quem deve fiscalizá-la. Servidores desprotegidos e sujeitos a demissões arbitrárias se tornam meros instrumentos do governo da vez, perdendo a autonomia.

A modernização é, portanto, um projeto político ideológico travestido de ajuste fiscal, garantindo que o Estado sirva a quem o governa, e não à nação!

MOBILIZAR É RESISTIR: O CHAMADO À LUTA

Seguiremos atentos, acompanhando cada passo desta proposta nefasta e reforça: não há reforma legítima sem diálogo e respeito a quem constrói o serviço público todos os dias. Estamos atuando junto às entidades nacionais, prontos para denunciar cada manobra.

Contudo, a luta não é apenas do sindicato, é de cada servidor e servidora que compreende o peso desta ameaça. Não se engane: a Reforma Administrativa não é uma pauta distante de Brasília. É uma ferida que pode se abrir em cada escola, em cada posto de saúde e em cada secretaria de Alvorada.

É o momento de se levantar e como já clamava a canção de Geraldo Vandré: “Vem, vamos embora, que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

É hora de se informar, participar das assembleias, pressionar os parlamentares e defender com coragem o que é nosso. Porque se permitirmos este retrocesso, amanhã será tarde demais. Não deixaremos que apaguem conquistas que custaram décadas de luta e nem que transformem o serviço público em mercadoria! O futuro da nossa cidade e do serviço público depende, integralmente, da nossa resistência, por aqui, o SIMA seguirá independente, atuante e para o servidor.

RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)