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 POSTOS FECHADOS, PROBLEMAS ABERTOS: A CRISE DA SAÚDE EM ALVORADA E SEUS IMPACTOS

POSTOS FECHADOS, PROBLEMAS ABERTOS: A CRISE DA SAÚDE EM ALVORADA E SEUS IMPACTOS

Na última semana, a Secretaria Municipal de Saúde de Alvorada anunciou uma campanha essencial: “Vamos eliminar a tuberculose juntos!”. A iniciativa busca conscientizar a população sobre a prevenção e o tratamento da doença. No entanto, essa campanha levanta uma questão importante: como fortalecer o combate à tuberculose quando postos de saúde estão fechados, sobrecarregando os que seguem abertos e dificultando o acesso da população aos serviços essenciais?

OS POSTOS FECHADOS E O DESCASO COM A POPULAÇÃO

Desde maio de 2024, o posto da Nova Americana está fechado devido às enchentes que atingiram o município. Em seguida, o URS 2 foi fechado por falta de manutenção, com goteiras e outros problemas estruturais que tornaram o local inapropriado para o atendimento. Agora, em 2025, o governo municipal decidiu fechar mais dois postos: o Nova Alvorada e o São Francisco. Ambos foram interditados em fevereiro por conta das chuvas torrenciais de verão e das goteiras que transformavam os tetos em “céu aberto” durante as tempestades.

Enquanto isso, a população sofre. Os postos que permanecem abertos estão abarrotados de pacientes, sem estrutura para atender a demanda crescente. O SIMA alerta: não adianta a Secretaria de Saúde dizer que “15 dos 19 postos estão abertos”. A questão não é quantos estão funcionando, mas como estão funcionando. UBS superlotadas, falta de equipamentos, grama alta, goteiras e a ausência de recursos básicos, como computadores para digitação, mostram o descaso com a saúde pública em Alvorada.

SOBRECARGA PARA OS SERVIDORES E DIFICULDADES PARA A POPULAÇÃO

O fechamento das unidades não afeta apenas o acesso da população à saúde, mas também impõe desafios significativos aos profissionais que seguem atuando. O aumento da demanda sem a devida estrutura coloca os servidores sob forte pressão, comprometendo a qualidade do atendimento.

E a situação só piora. Com a campanha de vacinação de inverno em andamento, as mães e pais de Alvorada são obrigados a sair da São Francisco e ir até a Formosa para vacinar seus filhos. Isso sem contar a precariedade das linhas de ônibus, que dificulta ainda mais o acesso aos serviços de saúde.

A CAMPANHA DA TUBERCULOSE E A REALIDADE DOS POSTOS

Nas redes sociais, a realidade parece uma; nos postos de saúde de Alvorada, a história é bem diferente. Como falar em prevenção da tuberculose e da dengue ou na importância da vacinação contra a H1N1 e Covid – 19 quando os postos estão superlotados e a falta de especialistas faz com que consultas, como as de traumatologia, sejam remarcadas para até dois anos? O SIMA reforça: não basta fazer campanhas bonitas no Instagram. É preciso garantir condições mínimas de trabalho para os servidores e de atendimento para a população. A tuberculose não será eliminada com discursos, mas com ações concretas. A saúde pública não é um privilégio, mas um direito de todos.

SOLUÇÕES PROPOSTAS PELO SIMA

O SIMA não apenas segue atento, mas também propõe soluções. É urgente que o governo municipal realize uma manutenção preventiva nos postos de saúde, evitando que problemas simples, como goteiras, se transformem em crises. Para isso, é essencial que haja uma plena comunicação entre as secretarias, especialmente com a SMOV (Secretaria Municipal de Obras e Viação), que pode auxiliar nas reformas e manutenções necessárias. Além disso, o SIMA defende que a manutenção seja feita por funcionários públicos, capacitados e comprometidos com o bem-estar da população. Dizemos não à terceirização porque essas empresas, que vencem licitações, entregam serviços de baixa qualidade. O resultado? Obras malfeitas que logo precisam de novos reparos, gerando desperdício de dinheiro público e prejudicando a população.

UM CHAMADO À MOBILIZAÇÃO

Mais do que reabrir postos, é preciso garantir um atendimento digno, com estrutura adequada e condições justas de trabalho e salários. A saúde pública é um direito essencial, e só com mobilização e cobrança da sociedade será possível garantir investimentos e soluções eficazes. Juntos, podemos transformar essa realidade e fazer da saúde uma verdadeira prioridade.

RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)