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 Alvorada 60 anos: O presente está à altura do futuro sonhado?

Alvorada 60 anos: O presente está à altura do futuro sonhado?

No dia 17 de setembro, Alvorada celebra seis décadas de emancipação. Mas a festa é ofuscada por uma pergunta incômoda, que ecoa nas ruas e nos corações dos servidores: a cidade que construímos com tanto suor realmente se tornou o futuro que sonhávamos?

História e memória

Nascida do antigo 3º Distrito de Viamão em 1965, Alvorada foi erguida pela força de um povo que superou enchentes e até um tornado em 1976, que destruiu ônibus, casas e o antigo prédio de madeira da prefeitura. Entre tragédias e vitórias, o que sempre se destacou foi a resistência da comunidade e dos servidores, que nunca deixaram a cidade cair.

As fotos antigas revelam um tempo de orgulho: havia mais linhas de ônibus, ruas limpas, dois cinemas (Cine Maringá e Cine São Jorge,que depois virou Cine Rivoli), discotecas como a Arena e a Pliper agitavam a vida cultural. Uma cidade simples, mas cheia de vida, onde se acreditava que o amanhã seria melhor. Um passado vibrante que inspira saudade e, ao mesmo tempo, nos faz questionar: o que aconteceu com aquele brilho?

Os desastres naturais também marcaram essa história. Enchentes recorrentes castigaram e ainda castigam o bairro Americana, enquanto o tão esperado dique se arrasta como promessa eterna. Em 2024, depois de uma enchente histórica, o governo federal liberou um fundo de R$ 6,5 bilhões para obras de contenção no RS, e Alvorada está no plano para finalmente receber o dique. Mas até lá, quantas famílias ainda terão que perder móveis, casas, memórias e esperanças?

O contraste com o presente

Se o passado desperta orgulho e luta, o presente provoca indignação. Hoje, as “lendas urbanas” sobre o casarão assombrado na Rua Noruega parecem inofensivas perto das verdadeiras assombrações que tiram o sono da população: um shopping abandonado, ruas esburacadas, promessas de corredor de ônibus esquecidas e a escassez de concursos públicos. São fantasmas reais, que rondam os alvoradenses e sufocam a esperança de progresso.

Em 2012, manchetes anunciavam a construção de um corredor de ônibus na Avenida Getúlio Vargas, incluído no PAC da Mobilidade com orçamento de R$ 42 milhões. Passados mais de dez anos, o projeto nunca saiu do papel. O resultado é trânsito confuso, insegurança para pedestres e motoristas, além de um transporte público que anda na contramão da dignidade.

O tão falado shopping, promessa de várias campanhas eleitorais, segue parado e servindo apenas de esqueleto de sonhos antigos. Enquanto isso, os moradores de Alvorada precisam se deslocar a Porto Alegre, Gravataí ou Cachoeirinha em busca de lazer e consumo.

Ruas e avenidas, por sua vez, recebem apenas “ações tapa-buracos”. O asfalto afunda em semanas, e obras de reparo se arrastam, tornando o trânsito um tormento diário. É o retrato do descaso com a infraestrutura básica.

O peso para os servidores

Para os servidores públicos, a situação é ainda mais cruel. São eles que dedicam suas vidas a fazer a cidade funcionar, nas escolas, nos postos de saúde, na limpeza urbana, e, mesmo diante do descaso, continuam sustentando Alvorada em pé. No aniversário de 60 anos, é impossível não reconhecer que a cidade foi construída também pelo trabalho incansável desses trabalhadores: socorrendo a população em enchentes, cuidando da saúde nos hospitais e postos, defendendo direitos em greves históricas ou até marchando nos desfiles cívicos. A história de Alvorada é, em grande parte, a história de seus servidores.

A falta de concursos públicos compromete o futuro de Alvorada. O quadro de servidores envelheceu, e muitos estão sobrecarregados. “Sou servidor há 30 anos e vejo muitos colegas cansados, doentes e sem perspectiva de aposentadoria digna”, desabafa um trabalhador. Sem renovação, a qualidade dos serviços públicos fica em risco, e o próprio FUNSEMA pode entrar em colapso, enquanto cargos são trocados por CCs que entram e saem conforme o jogo político.

O golpe mais duro veio em junho deste ano, quando a prefeitura rompeu o convênio com o IPE Saúde, deixando 1.398 servidores e seus familiares sem cobertura médica. Quem construiu a cidade com mãos calejadas agora precisa gastar parte do salário, já insuficiente, para ter acesso a consultas e exames básicos.

“Nós entregamos nosso melhor todos os dias, mas nos sentimos abandonados”, resume um servidor. “Ver que nossos filhos não têm a segurança de um plano de saúde é um tapa na cara. Nosso esforço não é valorizado, e a saúde da nossa família fica em risco.”

O posicionamento do SIMA

É preciso dizer com clareza: Alvorada tem motivos para se orgulhar, mas também muitos para se indignar. A pergunta que fica no ar neste aniversário de 60 anos é inevitável: o presente que vivemos é o futuro que sonhávamos? A cidade que temos hoje reflete o esforço e os sacrifícios de gerações de alvoradenses?

O SIMA acredita que celebrar é também lutar. Lutar por concursos públicos, por um plano de saúde digno, por infraestrutura de qualidade, por escolas melhores, por servidores valorizados e por serviços públicos que respeitem a população.

Este aniversário não pode ser só festa, precisa ser um marco de transformação. Que a memória das lutas do passado nos inspire a cobrar promessas, a denunciar retrocessos e a construir juntos uma cidade mais justa.

Chamado à ação

Servidor, a história de Alvorada é a sua história. Não deixe que o presente apague os sonhos do passado. Participe da luta do SIMA! Filie-se, compartilhe esta mensagem, pressione as autoridades e fortaleça o nosso sindicato.

Juntos, podemos resgatar o orgulho de ser alvoradense e construir um futuro onde o presente esteja, de fato, à altura dos nossos sonhos.

RODINEI ROSSETO
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)