A Campanha Salarial 2026 dos servidores municipais de Alvorada chegou a um desfecho importante nesta terça-feira (10). Em assembleia geral realizada na sede do SIMA, a categoria aprovou por unanimidade a contraproposta apresentada pelo governo municipal para o reajuste do quadro geral. A assembleia marcou o encerramento de um processo de negociação que se estendeu por semanas e mobilizou servidores em assembleias, paralisações e debates coletivos sobre a valorização do serviço público municipal. Desde o início da campanha, o SIMA reforçou um princípio claro: quem mantém a cidade funcionando todos os dias precisa ser respeitado. A HISTÓRIA DA NEGOCIAÇÃO A negociação salarial deste ano começou com propostas consideradas insuficientes pela categoria. Inicialmente, o governo apresentou uma proposta de 0,2% de reajuste, índice muito abaixo da inflação. Desde o início, o SIMA alertou o governo de que a categoria não aceitaria um percentual tão baixo, que não representava qualquer recomposição real para os servidores. Posteriormente, o governo elevou a proposta para 2% de reajuste, o que novamente foi considerado insuficiente pelo sindicato e pelos trabalhadores. Somente em um terceiro momento surgiu a proposta de 3,9%, equivalente ao índice da inflação medida pelo IPCA. Mesmo assim, em assembleia realizada no dia 2 de março, os servidores decidiram rejeitar a proposta e aprovar uma paralisação, realizada na última sexta-feira (6) em frente à Prefeitura. Somente após a mobilização da categoria e a paralisação dos servidores o governo sinalizou uma maior flexibilização na negociação, reabrindo a mesa de diálogo com o sindicato. O QUE FOI APRESENTADO À CATEGORIA A contraproposta levada à assembleia manteve o reajuste salarial de 3,9% para o quadro geral, acompanhado do compromisso de revisão de um percentual complementar de 1,10% no mês de maio, para que se possa alcançar os 5% reivindicados pela categoria durante a campanha salarial. Essa revisão dependerá da evolução das condições financeiras do município. O mês de maio também permanece como referência para o pagamento da primeira parcela do 13º salário, algo que foi mantido após a atuação do sindicato durante as negociações. OUTROS AVANÇOS DA CAMPANHA SALARIAL Além do reajuste salarial, a campanha salarial registrou avanços importantes em diversos pontos da pauta apresentada pelo sindicato. Entre eles estão: • vale-alimentação de R$ 850,00 • vale-saúde de R$ 250,00 • auxílio-creche de R$ 150,00 Também foi garantida a aplicação do descongelamento dos 583 dias, período que havia sido congelado pela legislação federal durante a pandemia (Lei Complementar 173, sancionada no governo Bolsonaro). O sindicato ressalta que ainda não há acordo sobre o pagamento retroativo dessas diferenças, porém o SIMA já judicializou a questão para garantir esse direito aos servidores. Servidores que ainda não ingressaram com ação judicial para cobrar essas diferenças ainda podem procurar o sindicato para entrar com o processo. REAJUSTES ESPECÍFICOS Também foram confirmados reajustes e avanços em áreas específicas do serviço público: • reajuste de 5,4% para o magistério, conforme legislação federal • reajuste de 6,8% para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), conforme legislação federal Além disso, o SIMA conquistou o pagamento do IFA e do novo financiamento da atenção básica da saúde (antigo PMAQ), que resultou no pagamento de bonificação superior a R$ 700,00 aos trabalhadores das equipes de atenção básica no início deste mês. RECLASSIFICAÇÕES E REESTRUTURAÇÃO DE CARREIRAS A campanha salarial também avançou em processos importantes de reestruturação de carreiras no serviço público municipal. Entre eles estão as reclassificações de: • operadores • motoristas • dentistas • economistas • contadores Em algumas dessas áreas existem defasagens salariais acumuladas há mais de 10 anos, resultado da ausência de revisão das estruturas de carreira ao longo do tempo. Também ficou encaminhada a discussão sobre a reclassificação do quadro geral, abrangendo trabalhadores desde os operários até engenheiros, contemplando grande parte da base do serviço público municipal. Outro avanço importante foi a mudança de nomenclatura do cargo de auxiliar administrativo para agente administrativo, adequando a estrutura da carreira. CONQUISTA HISTÓRICA PARA OS SERVIDORES Durante o processo de negociação, o sindicato também conquistou uma reivindicação histórica: a destinação de uma área para a criação do futuro Centro de Lazer dos Trabalhadores. A iniciativa tem como objetivo garantir um espaço de convivência, lazer e dignidade para os servidores e suas famílias. Essa conquista é resultado da luta permanente do SIMA e de sua diretoria, sempre voltada à valorização dos trabalhadores e à melhoria das condições de vida dos servidores municipais. A Campanha Salarial 2026 chega ao fim com avanços importantes, mas também com a certeza de que a valorização do servidor público é uma luta permanente. O SIMA seguirá acompanhando o cumprimento dos compromissos assumidos e defendendo, com firmeza, os direitos dos servidores municipais de Alvorada. Independente, atuante e para os servidores. RODINEI ROSSETO Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)
A Campanha Salarial 2026 do SIMA não começa com números nem com promessas vazias. Ela começa com pessoas. Com quem mantém a cidade funcionando todos os dias. Todos os anos, o SIMA apresenta sua pauta porque, todos os anos, é preciso reafirmar algo básico: quem trabalha para a cidade precisa ser respeitado. Mas a Campanha de 2026 chega com um peso diferente. Ela nasce em um cenário de retrocessos, descumprimento de compromissos e ataques a direitos conquistados. Mais do que exigir reajustes ou benefícios, o sindicato envia um recado claro: o mínimo que os servidores exigem é dignidade. Dignidade para trabalhar. Dignidade para viver. Dignidade para acreditar no serviço público. QUANDO A PERDA DE DIREITOS VIRA ROTINA O discurso do governo fala em modernização, eficiência e mudança. Mas a realidade nos locais de trabalho é outra: sobrecarga constante, equipes reduzidas, benefícios insuficientes e direitos tratados como concessão. A Campanha Salarial de 2026 é a resposta direta a esse cenário. Não pede privilégios. Pede recomposição, valorização e respeito. Pede condições mínimas para quem mantém a máquina pública funcionando, mesmo quando faltam estrutura e reconhecimento. Um exemplo claro do descumprimento de compromissos que ocorreu, envolve os educadores sociais. Em 2025, após muita luta e negociação, foram conquistados avanços concretos para a categoria: Como a mudança de letra e de nível administrativo, revisão do artigo 5º da Lei do GEASE, artigo este que restringia horas extras e folgas, e a confirmação da chamada de seis aprovados em concurso público para o cargo de educador social. No entanto, passou o ano todo de 2025 e esses aprovados não foram chamados, e então, no início de 2026, a Secretaria de Assistência Social informou que não realizará a chamada dos aprovados, alegando dificuldades financeiras. A consequência é direta e conhecida: equipes ainda mais reduzidas, sobrecarga de trabalho, desgaste físico e emocional dos servidores que já atuam em condições extremamente fragilizadas. Quando um acordo é descumprido, não é apenas o servidor que perde. Perde o diálogo, perde a confiança e perde a qualidade do serviço público entregue à população. O QUE DEFENDE A CAMPANHA SALARIAL 2026 A pauta apresentada pelo SIMA não é abstrata. Ela reflete a realidade concreta dos servidores e a necessidade de garantir serviços públicos de qualidade para toda a população. Entre os principais pontos estão: Reajuste salarial geral de 10%, para recompor perdas inflacionárias acumuladas; Vale-alimentação de R$ 1.500,00, geral e sem desconto; Vale-saúde de R$ 500,00, substituindo o modelo atual, que chega a no máximo R$ 200,00; Ampliação de benefícios sociais, como o aumento do vale-creche e a criação da Bolsa Servidor Estudante, no valor de R$ 800,00; Planos de carreira estruturados, incluindo a revisão do Plano de Carreira do Magistério; Alteração da nomenclatura de auxiliar para técnico administrativo, para todos os servidores que atuam na área administrativa da Prefeitura, com redução da jornada de trabalho de 8 para 6 horas diárias, sem redução salarial, promovendo reconhecimento profissional e melhores condições de trabalho. Tudo isso responde a uma pergunta simples, mas essencial: como falar em cidade funcionando sem servidor valorizado? UNIÃO, SINDICALIZAÇÃO E LUTA COLETIVA Nenhuma conquista dos servidores caiu do céu. Todas foram resultado de organização, mobilização e de um sindicato forte e atuante. Por isso, o recado é direto: é hora de se sindicalizar, participar e fortalecer a luta coletiva. Somente com unidade será possível enfrentar retrocessos e garantir dignidade para quem dedica a vida ao serviço público. A pauta salarial de 2026 foi entregue no dia 5 de janeiro na Prefeitura, e a reunião com o governo está marcada para o dia 20 de janeiro. Após essa reunião, o SIMA convocará assembleia para discutir com as categorias a postura do governo, sua retórica e o que, de fato, será apresentado nessa negociação. Fiquem atentos, participem e estejam presentes. O SIMA segue independente, atuante e para os servidores, porque sem dignidade para quem trabalha, não existe cidade justa para quem vive nela. Rodinei Rosseto Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)
A RESERVA QUE NÃO PODE VIRAR CAIXA-PRETA: SIMA EXIGE TRANSPARÊNCIA TOTAL NO ORÇAMENTO DE 2026
SIMA cobra que a Câmara fiscalize o uso da Reserva de Contingência de 2025, exigindo transparência, documentos e rigor na gestão do dinheiro público. O Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA) reforçou a cobrança à Câmara de Vereadores para fiscalização rigorosa da Reserva de Contingência do Orçamento de 2026, exigindo transparência, documentos oficiais e justificativas técnicas. O objetivo é claro: garantir que o dinheiro público seja usado com responsabilidade, e não ao sabor da conveniência política. ORÇAMENTO CRESCE, SERVIDORES FICAM PARA TRÁS Segundo análise do DIEESE, o orçamento global de Alvorada terá crescimento de 8,37% em relação a 2025, mas a despesa com pessoal e encargos sociais crescerá apenas 1,8%, muito abaixo da inflação projetada de 4,47% pelo Banco Central. Isso significa perda real do poder de compra dos servidores, mesmo com o aumento nominal do orçamento. Outros setores essenciais também sofrem cortes ou aumentos insuficientes: Saúde: +4,01%, abaixo da inflação. Saneamento: -41,11%, comprometendo a infraestrutura. Desporto e Lazer: orçamento reduzido pela metade. Direitos da Cidadania: retração, mostrando baixa prioridade para políticas sociais. A RESERVA DE CONTINGÊNCIA: UMA “POUPANÇA” SOB SUSPEITA O Anexo IV da LOA indica R$ 75 milhões em Reserva de Contingência, muito acima dos R$ 289 mil aprovados no projeto inicial. O SIMA solicita que a Câmara exija esclarecimentos detalhados sobre a classificação, a destinação e a legalidade desses recursos, garantindo que cada real seja usado apenas para emergências fiscais, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal. Entre 2017 e 2025, a Prefeitura aumentou os vínculos totais em 34,8%, com CCs (+33,6%) e estagiários (+155,2%) , somando mais de 16% do quadro de pessoal. A precarização do serviço público enfraquece a estabilidade institucional e reduz a qualidade dos serviços. Para corrigir essas distorções, o sindicato sugere: Previsão de RGA: criação de dotação específica na LOA 2026 para garantir o reajuste anual aos servidores, incluindo reposição integral da inflação e ganho real de 5%, conforme Art. 37, X, da Constituição. Aumento da Reserva de Contingência: elevar o valor para no mínimo R$ 8 milhões (aproximadamente 1% da Receita Corrente), garantindo segurança fiscal e transparência. Esclarecimentos sobre os R$75 milhões do Anexo IV: detalhar intenção de uso, áreas prioritárias e mecanismos de fiscalização contínua. POR QUE ISSO IMPORTA Quando o orçamento cresce, mas o reajuste dos servidores não acompanha a inflação, quem perde é o trabalhador. Quando a Reserva de Contingência não é transparente, abre-se espaço para uso político do dinheiro público. O SIMA reforça: a cidade tem uma poupança de emergência, ela não pode e não vai virar um cofre sem transparência. A responsabilidade agora é da Câmara: fiscalizar, exigir documentos e garantir que o orçamento seja aplicado dentro da lei. O sindicato segue independente, atuante e para os servidores, defendendo servidores e população de Alvorada. Pois sem transparência, não há gestão justa, e sem servidores valorizados, não há cidade que funcione! FELIPE GROOS Diretor do Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada (SIMA)